Chuva abaixo da média no MA

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Centro-norte e leste do Maranhão deve ter chuva abaixo da média entre maio e julho de 2016
Centro-norte e leste do Maranhão deve ter chuva abaixo da média entre maio e julho de 2016

Previsão climática divulgada pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) projeta chuvas abaixo do normal em parte do semiárido da região Nordeste, incluindo o centro-norte e leste do Maranhão, para o período entre maio e julho de 2016. Nas regiões oeste e sul do Estado, a previsão é de chuvas e temperaturas dentro da normalidade. As projeções levam em consideração as análises de condições oceânicas e atmosféricas globais.

Um dos motivos para a ‘anomalia’, segundo o CPTEC/Inpe, é o fenômeno atmosférico-oceânico El Niño – caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais no oceano Pacífico tropical, que afeta o clima global –, que se encontra em declínio com valores até 2°C mais quentes que a climatologia em algumas áreas do Pacífico Equatorial. Outro motivo é a influência da Zona de Convergência Intertropical (Zcit), atuou mais ao norte que sua posição normal para o período no mês de março, contribuindo para o deficit de chuvas em grande parte do Nordeste.

Entre janeiro e abril de 2016, no entanto, as chuvas excederam a média histórica em áreas do Amazonas, Pará e Rondônia. No Maranhão, valores diários registrados na cidade de Turiaçu (até 138 mm) surpreenderam, segundo dados das estações convencionais do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Distribuição das chuvas no primeiro quadrimestre de 2016
Distribuição das chuvas no primeiro quadrimestre de 2016
Distribuição das chuvas no primeiro quadrimestre de 2015
Distribuição das chuvas no primeiro quadrimestre de 2015

Queimadas
Em março de 2016, foram mapeados 3,8 mil focos de queimadas no Brasil, reflexo de um período mais seco e quente na Amazônia e no Nordeste, influenciado pelo El Niño. Março foi o quarto mês consecutivo de recordes de queimas. No Maranhão, o aumento foi de 130%, com 123 focos.

O trimestre maio-junho-julho é considerado de intensas queimadas no país.

Com El Niño, cenário climático é incerto

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Muita gente já percebeu que o clima está mudando: chuvas fora do padrão, estiagens cada vez mais severas, calor mais intenso, e por aí vai. E muito tem se ouvido sobre o fenômeno El Niño nos últimos dias. Dizem os cientistas que ele pode ser o mais intenso desde 1997. O Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos já deu a sentença: esse é o mais forte já registrado. Os modelos climáticos apontam para um cenário nada agradável nos próximos meses.

O fenômeno se caracteriza por um aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico na região da linha do Equador. O resultado desse aquecimento é a mudança nos padrões do clima em todo o planeta, como explica a meteorologista do Núcleo Geoambiental (Nugeo) da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), Andréa Cerqueira, ao MauricioAraya.com.br.

O El Niño é o aquecimento anormal das águas superficiais do bacia equatorial do oceano Pacífico e esse aquecimento altera a circulação atmosférica logo acima da região em questão e que por consequência ‘bagunça’ alguns padrões de clima em muitos locais do globo

Nessa ‘confusão’ provocada pelo El Niño, o Nordeste pode registrar seca mais severa; e a região sul do país, chuvas com inundações. Em outras regiões do globo, os invernos podem ser chuvosos e atividades como a pesca (como no próprio Pacifico, que depende da temperatura baixa para se desenvolver) podem ser duramente afetadas.

No Maranhão, explica Andréa, o El Niño influencia para que as chuvas fiquem abaixo da média histórica, assim como aconteceu no primeiro semestre de 2015 em grande parte do Estado, como mostra o gráfico do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC):

CPTEC / Inpe

Próximos meses
Até outubro de 2015, o Nugeo acredita que o cenário de chuvas fique dentro da climatologia para a época, ou seja, com poucas chuvas no Maranhão. No período, as chuvas são menos frequentes, as temperaturas do ar mais elevadas e baixos valores de umidade relativa do ar, e essa composição é ideal para o aumento do número de queimadas.

Para 2016, o cenário é incerto.