Guardiões da Galáxia Vol. 2: minha análise sobre o filme

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OK, OK… estou mais de uma semana atrasado, mas vou analisar Guardiões da Galáxia Vol. 2 (Guardians of the Galaxy Vol. 2, 2017) puramente porque quero expressar minha opinião. E sem rodeios, vou direto ao ponto: decepcionante.

Eu explico: vendo como um todo, nem achei o filme ruim. Me decepcionei, sim, ao criar tanta expectativa por Guardiões da Galáxia Vol. 2 e constatar que paguei um ingresso por algo que já tinha visto, nos trailers. De tão boa que foi a divulgação, ele, em si, tornou-se enfadonho. É como se alguém fosse te contar uma piada, mas você já soubesse o fim.

Mas há pontos positivos em Guardiões da Galáxia Vol. 2 – e não falo só da luxuosa presença de Sylvester Stallone no filme –, que traz humanidade nos personagens. A turma luta contra velhos e novos vilões, enquanto lida com descobertas que mudam o curso de suas vidas e os aproximam, ainda mais, como amigos.

Peter Quill (Chris Pratt) descobre que seu pai, ao contrário do que preferia imaginar – ou de quem preferia imaginar, David Hasselhoff – é Ego (Kurt Russell), um ‘deus’, com seu próprio planeta. Só que o que de início parece ser um ambiente perfeito, revela-se um plano maligno de dominar a galáxia.

Groot é o personagem que faz o filme valer à pena
Groot é o personagem que faz o filme valer à pena

E para evitar que esse plano se conclua, Quill terá a resposta em sua verdadeira família: Gamora (Zoe Saldana), Drax (Dave Bautista), Rocket (na voz de Bradley Cooper) e Groot (ou Baby Groot, na voz de Vin Diesel).

Aliás, Groot é o personagem que faz o filme valer à pena. Tamanha fofura derrete o coração de qualquer plateia, e até dos Saqueadores.

‘Eu sou groot’
‘Eu sou groot’

E a tal ‘humanidade’ que falei se percebe em diversos momentos do filme, seja na redenção do azulão Yondu (Michael Rooker) – que ganha o visual importado dos quadrinhos e recebe a merecida homenagem dos Guardiões – e de Nebula (Karen Gillan) – que ganha o perdão de sua irmã, Gamora –, seja na demonstração de fraternidade de Mantis (Pom Klementieff) – com sua proximidade com Drax e seu grande gesto em favor da trupe.

O senso de humor é característico, e domina Guardiões da Galáxia Vol. 2, com direito até a gargalhada de Ayesha (Elizabeth Debicki) do vilão abobalhado Taserface (Chris Sullivan). Stan Lee – criador de tudo isso –, como de costume, faz sua aparição. E até Howard, o Pato, ganha a tela num pestanejo da Marvel.

Entretanto, devo dizer: de tão complexo e extenso, o ‘Universo Marvel’ fica cada dia mais difícil de acompanhar para os espectadores comuns – aqueles que não ficam comparando cada cena com os quadrinhos –, e tende a se tornar tedioso ao fim.

Cinquenta Tons Mais Escuros: minha análise sobre o filme

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‘Ahhh’; ‘Uhhh’… mesmo que você não goste do gênero, assistir a um filme como Cinquenta Tons Mais Escuros (Fifty Shades Darker, 2017), com uma plateia tão ‘devota’, se torna bastante divertido com tantos suspiros a cada cena. Afinal, ele foi feito sob medida para elas. Cinquenta Tons Mais Escuros entrou em cartaz nesta semana nos cinemas de todo o Brasil. Fui assistir, e essa é minha análise sobre o filme.

Entendendo o significado de amor, Christian busca reconquistar Anastasia
Entendendo o amor, Grey
busca reconquistar Ana

Cinquenta Tons Mais Escuros é a tão aguardada sequência de Cinquenta Tons de Cinza, da obra de E. L. James. O segundo filme da trilogia é uma viagem ao passado do jovem e poderoso Christian Grey (Jamie Dornan) – enfim com cara de homem, e não de menino –, e traz respostas sobre as características de sua personalidade.

Depois do afastamento de Anastasia Steele (Dakota Johnson), acontecido já em Cinquenta Tons de Cinza, Christian quer reconquistá-la. Mas o papel de dominante, agora, é de Anastasia, que impõe suas condições.

Difícil não comparar as duas peças: em 2015, comentei que Cinquenta Tons de Cinza parecia mais com ‘um novo Crepúsculo’, dado ao fato de nos fazer ‘imaginar que o enredo segue uma fórmula da fábula infantil: a sensação de perseguir o inalcançável – assim como Bella, de Crepúsculo, almeja um amor com todas as complexidades de um ser imortal’.

Mais ‘amadurecido’, Cinquenta Tons Mais Escuros realmente parece ter mais a mão de E. L. James no comando da produção. A linguagem praticamente grosseira foi substituída por uma sofisticação maior dos diálogos, algo que eu também já havia comentado em 2015.

Cinquenta Tons Mais Escuros apresenta maior sofisticação
Cinquenta Tons Mais Escuros apresenta maior sofisticação

Algumas características foram, por bem, preservadas, como fotografia impecável – aprimorada após Cinquenta Tons de Cinza – e novos arranjos dados a hits conhecidos – como Crazy In Love, consagrada na voz de Beyoncé, e desta vez regravada por Miguel.

Só faltou apreço pela continuidade; em dois pontos do filme, encontrei falhas. O corte de algumas cenas que estavam nos trailers de Cinquenta Tons Mais Escuros, acho eu, podem explicar a ocorrência delas.

Cinquenta Tons Mais Escuros tem dramalhão digno de novela mexicana

Bella Heathcote é Leila em Cinquenta Tons Mais Escuros
Bella Heathcote é Leila em
Cinquenta Tons Mais Escuros

Mais romântico e mais denso, Cinquenta Tons Mais Escuros apresenta, também, ‘vilões’ à sequencia: Leila (Bella Heathcote) – antiga submissa, que, agora perturbada, tem como missão separar Christian e Anastasia –, Elena Lincoln (Kim Basinger) – a sádica amiga da mãe adotiva de Christian que o inicia na prática, inconformada com a união de Grey e Ana – e Jack Hyde (Eric Johnson) – chefe de Anastasia, que tem a vida destruída por Christian após flertar com Ana.

Acredito que, na tentativa de encurtar o enredo, o resultado foi um tanto embaraçoso. Uma forma de atacar diversas frentes ao mesmo tempo, sem diluir a quantidade de informação no tempo certo durante a sequência.

Já o toque dramalhão de algumas cenas nos dá a sensação de estar diante de uma verdadeira ‘novela mexicana’, ao clássico estilo ‘tiro, porrada e bomba’.

Ainda assim, Cinquenta Tons Mais Escuros convence, e cria expectativa para Cinquenta Tons de Liberdade, previsto para fevereiro de 2018.

La La Land: uma análise sobre o musical

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Estreou em grande parte dos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (19) – embora em poucos a estreia tenha acontecido no dia 12 – La La Land: Cantando Estações (La La Land, 2017). Já havia lido excelentes recomendações; mas, após a entrevista de Emma Stone – protagonista – no The Tonight Show e a gigantesca empolgação de seu apresentador, Jimmy Fallon, sobre o filme, fiquei obstinado a assisti-lo. Deixo minha análise sobre o musical.

Encantado, extasiado, enlevado. Todas as palavras de um dicionário que, juntas, poderiam transmitir meu sentimento após o término da sessão seriam insuficientes para tal propósito. É algo mais sublime, um elevado estado de espírito.

La La Land é de tirar o fôlego de início, em uma cena que já evidencia sua essência. Uma fabulosa e muito bem sincronizada sequência em único take, que cria o ambiente perfeito para o início dessa jornada, demarcada pelas estações do ano.

No trânsito da movimentada Los Angeles, Sebastian (Ryan Gosling) – aplicado e marrento jazzista – e Mia (Emma Stone) – desajeitada, porém perseverante atriz – se conhecem nas piores condições. Entre vários ‘esbarros’, Seb e Mia se apaixonam.

Ryan Gosling e Emma Stone em La La Land
Ryan Gosling e Emma Stone em La La Land

Ele tem o sonho de abrir seu próprio clube de jazz, em que o estilo seja verdadeiramente reconhecido. Ela, de se estabelecer como atriz. Ambos incentivam as realizações um do outro, embalados por tudo que a música traz de melhor.

Emma Stone é Mia em La La Land
Emma Stone é Mia em La La Land
Ryan Gosling vive Sebastian em La La Land
Ryan Gosling vive Sebastian em La La Land

O maior obstáculo para esse casal vai ser a própria vida. O êxito, na realização do sonho de cada um, vai levá-los a caminhos opostos. No fim, o enredo mostra que o amor e o respeito são capazes de resistir mesmo após anos.

É claro que La La Land se fundamenta em diversas referências clássicas, mas seduz ao demonstrar, em si, grande sensibilidade, desde suas músicas aos planos minuciosamente trabalhados. Mais que um romance, La La Land me pareceu uma extraordinária declaração de amor a Los Angeles.

Sebastian (Ryan Gosling) e Mia (Emma Stone) vivem grande amor em La La Land
Sebastian (Ryan Gosling) e Mia (Emma Stone) vivem grande amor em La La Land

Se se aproxima a um ‘clássico’, não sei dizer; mas La La Land têm o mérito de proporcionar à minha geração deleitar-se na grande tela o que somente conhecia por meio da televisão. Mas, como uma excêntrica joia, talvez seja apreciada somente por poucos.

Assassin’s Creed: minha análise sobre o filme

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Demorei para conseguir assistir, mas finalmente pude contemplar Assassin’s Creed (2017) no cinema. Deixo, em minha análise, algumas das impressões.

É redundante, mas preciso dizer – caso você ainda não saiba – que Assassin’s Creed surgiu do mundo dos jogos eletrônicos. Exatamente por isso, certamente você já tenha lido ou ouvido tantas críticas ou elogios radicais sobre o filme. Agradar a um público tão apaixonado é tarefa complexa. Mas também por esse motivo é possível entender o enredo.

Sentenciado, Callum escapa da morte para experimentar uma viagem por memórias escondidas
Sentenciado, Callum escapa da morte para experimentar uma viagem por memórias escondidas

Callum Lynch (Michael Fassbender) é protagonista de Assassin’s Creed, e devo dizer que gostei da introdução sobre sua história. Em poucos minutos, o espectador já está embebido no roteiro.

Callum é um prisioneiro, sentenciado à morte por homicídio. E logo de início, Michael Fassbender encanta no personagem, transmitindo a quase que real angústia de quem está prestes a receber a injeção letal.

Assassinos x Templários

No entanto, ele é salvo por uma misteriosa seita, liderada pelos doutores Alan Rikkin (Jeremy Irons) e Sophia Rikkin (Marion Cotillard), que buscam a ‘cura para a violência’ do mundo. Por meio de uma nova tecnologia de imersão, de realidade virtual – capaz de deixar qualquer gamer alucinado –, eles resgatam a memória genética de pessoas como Callum em busca de um objeto, a Maçã do Eden – que contém a resposta para o fim da violência no mundo.

Imerso em um mundo secreto, guardado em sua mente após várias encarnações, Callum experimenta estar na pele de Aguilar, seu ancestral associado ao grupo que trabalha às ‘sombras para servir a luz’, o Credo dos Assassinos. O cenário é a Inquisição Espanhola, ou Tribunal do Santo Ofício, do Século XV. A missão: localizar a peça sagrada, em uma furiosa guerra contra os Templários. E o que não falta é ação. Para quem curte esse tipo de ambientação, todos esses elementos resultam em uma combinação perfeita.

Com Michael Fassbender na pele de Aguilar, não falta ação em Assassin’s Creed
Com Michael Fassbender na pele de Aguilar, não falta ação em Assassin’s Creed

Acertos de Assassin’s Creed

Assassin’s Creed acerta no equilíbrio entre fantasia e realidade, e, sobretudo, no tom poético dada à trajetória de seu protagonista – sempre acompanhado de uma fiel e observadora escudeira. Além disso, traz uma profunda reflexão sobre a origem da violência, e demonstra que ela está na essência de cada indivíduo predisposto a ela.

Certamente, Assassin’s Creed será um dos maiores êxitos de 2017, e cria o ambiente perfeito para sua continuação prevista para estrear em 2019.