Em 15 dias, queimadas no Maranhão superam setembro de 2016 e média histórica

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É preocupante a situação das queimadas no Maranhão neste mês de setembro de 2017: na primeira quinzena, já foram registrados 6,64 mil focos de incêndios florestais. O número já é mais que o dobro do volume registrado em todo o mês de setembro de 2016, 3,16 mil focos; e também superou a média histórica (1998-2017) para o período, que é de 4,4 mil focos.

Recuperação leva mais tempo em áreas afetadas pela seca, conclui estudo

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À medida que as temperaturas globais continuam a subir, as secas em muitas regiões do planeta Terra deverão se tornar ainda mais frequentes e severas neste século. Um novo estudo com a participação da Nasa, a agência espacial americana, descobriu que os ecossistemas terrestres levaram mais tempo para se recuperar das secas no século 20, e a recuperação incompleta da seca pode se tornar mais comum em algumas áreas, levando à morte de árvores e ao aumento das emissões de gases de efeito estufa.

Recuperação incompleta pode levar à morte de ecossistemas e ao aumento das emissões de gases de efeito estufa
Recuperação incompleta pode levar à morte de ecossistemas e ao aumento das emissões de gases de efeito estufa

Em resultados publicados neste mês de agosto de 2017 na revista Nature, uma equipe de pesquisa liderada por Christopher Schwalm do Woods Hole Research Center, em Massachusetts, Estados Unidos; incluindo um cientista do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da Nasa, na Califórnia, mediu o tempo de recuperação após a seca em várias regiões do mundo.

Padrões globais de tempo de recuperação da seca, em meses
Padrões globais de tempo de recuperação da seca, em meses; os tempos de recuperação mais longos são retratados em tons de azul e rosa, mais baixos em amarelo e áreas brancas indicam água, terras estéreis ou regiões que não experimentaram seca durante o período de estudo (Gráfico: Woods Hole Research Center)

Para o estudo, foram usadas projeções de modelos climáticos verificados por observações do instrumento Moderate-Resolution Imaging Spectroradiometer (Modis), que orbita a Terra desde 1999 e faz medições da temperatura da superfície do planeta, solos, oceanos, características de nuvens, etc.

Os pesquisadores descobriram que a recuperação da seca estava levando mais tempo em todas as áreas terrestres. Em duas regiões particularmente vulneráveis, os trópicos e as latitudes altas do norte, a recuperação levou mais tempo do que em outras regiões, como explica o co-autor do estudo, Josh Fisher, do JPL.

Do espaço, podemos ver todas as florestas da Terra e outros ecossistemas sendo atingidos, repetidamente, e cada vez mais pelas secas. Alguns desses ecossistemas se recuperam; mas, com frequência crescente, outros não

Os cientistas argumentam que o tempo de recuperação é uma métrica crucial para avaliar a resiliência dos ecossistemas. Tempos mais curtos entre as secas, combinados com tempos de recuperação de seca mais longos, podem levar à morte generalizada da vegetação, diminuindo a capacidade das áreas terrestres de absorver o carbono atmosférico.

A pesquisa foi financiada pela Fundação Nacional da Ciência dos Estados Unidos (NSF, na sigla em inglês) e pela Nasa, com participação de outras instituições, como Instituto Carnegie, Serviço Florestal dos Estados Unidos, Arable Labs Inc., National Snow and Ice Data Center (NSIDC), Laboratório Nacional de Oak Ridge, Laboratório Nacional do Noroeste do Pacífico (PNNL) e das universidades do Norte do Arizona, Utah, Novo México, Maine, Illinois, Nevada e Auburn.