quarta-feira, outubro 18, 2017
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Estudo de Marte produz indícios para possível ‘berço da vida’

Estudo de Marte produz indícios para possível ‘berço da vida’

Um relatório publicado recente examina as observações do Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), da Nasa, a agência espacial americana, sobre depósitos maciços em uma bacia no sul de Marte: os autores interpretam dados como evidência de que esses depósitos foram formados por água aquecida de uma parte vulcanicamente ativa da crosta do planeta vermelho, entrando no fundo de um grande mar há muito tempo.

“Mesmo que nunca encontremos provas de que tenha havido vida em Marte, este sítio pode nos informar sobre o tipo de ambiente onde a vida pode ter começado na Terra”, disse Paul Niles, do Centro Espacial Johnson da Nasa, em Houston. “A atividade vulcânica combinada com água parada proporcionou condições que, provavelmente, eram semelhantes às condições que existiam na Terra em aproximadamente o mesmo tempo, quando a vida adiantada estava evoluindo aqui”, completa.

Marte pode fornecer informações, inclusive, sobre nosso passado

Marte, hoje, não tem água, nem atividade vulcânica. Os pesquisadores estimam uma idade de cerca de 3,7 bilhões de anos para os depósitos marcianos atribuídos à atividade hidrotônica do fundo do mar.

As condições hidrotérmicas submarinas na Terra em, aproximadamente, o mesmo tempo são um forte candidato para onde e quando a vida na Terra começou. A Terra ainda tem tais condições, onde muitas formas de vida prosperam em energia química extraída de rochas, sem luz solar. Mas devido à crosta ativa da Terra, nosso planeta possui pouca evidência geológica direta preservada do tempo em que a vida começou.

A possibilidade de atividade hidrotermal submarina dentro de luas geladas como Europa, em Júpiter, e Encelado, em Saturno, alimenta seu interesse como destinos na busca da vida extraterrestre.

As observações do Espectrômetro de Imagens de Reconhecimento Compacto para Marte (Crism) forneceram os dados para a identificação de minerais em depósitos maciços na bacia da Eridania de Marte, que se encontra em uma região com algumas das crostas expostas mais antigas do planeta vermelho.

“Essa região nos dá uma história convincente para um mar profundo e de longa duração e um ambiente hidrotermal de águas profundas. É evocador dos ambientes hidrotermais do mar profundo na Terra, semelhante aos ambientes onde a vida pode ser encontrada em outros mundos, vida que não precisa de uma atmosfera agradável ou superfície temperada, mas apenas pedras, calor e água”, disse Niles.

Niles é co-autor do relatório publicado recentemente na revista Nature, com o autor principal Joseph Michalski, que iniciou a análise no Museu de História Natural de Londres, e co-autores do Instituto de Ciências Planetárias em Tucson, no Arizona; e Museu de História Natural dos Estados Unidos.

Estudo leva a pistas sobre desaparecimento do mar em Marte

Os pesquisadores estimam que o antigo mar de Eridania ocupava cerca de 210 mil quilômetros cúbicos (km³) d’água, tal qual todos os outros lagos e mares antigos de Marte juntos, e cerca de nove vezes mais de todo o volume dos grandes lagos da América do Norte, por exemplo.

A mistura de minerais identificados a partir dos dados do espectrômetro e a forma e textura das camadas de rocha grossa levaram a identificar possíveis depósitos hidrotérmicos do fundo marinho. A área possui fluxos de lava que datam do desaparecimento do mar.

Os pesquisadores citam esses fatores como evidência de que essa é uma área da crosta de Marte com uma susceptibilidade vulcânica que também poderia ter produzido efeitos anteriormente, quando o mar estava presente.

O novo trabalho acrescenta a diversidade de tipos de ambientes úmidos para os quais existe evidência em Marte, incluindo rios, lagos, deltas, mares, fontes termais, águas subterrâneas e erupções vulcânicas sob o gelo.

“Os antigos depósitos hidrotermais em águas profundas na bacia de Eridania representam uma nova categoria de alvo astrobiológico em Marte”, afirma o relatório. Também diz: “Os depósitos de lençol freático de Eridania não são apenas de interesse para a exploração de Marte, eles representam uma janela para o início da Terra”. Isso ocorre porque a primeira evidência de vida na Terra vem de depósitos do fundo marinho de origem e idade semelhantes, mas o registro geológico daqueles ambientes da Terra adiantada são mal preservados.

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Maurício Araya
Jornalista graduado (DRT-MA nº 1.139), com ênfase em produção de conteúdo para web, edição de fotos e vídeos e desenvolvimento de infográficos; com passagem pelas redações do Imirante.com e G1 Maranhão; e vencedor de duas etapas estaduais do Prêmio Sebrae de Jornalismo, categoria Webjornalismo
http://www.mauricioaraya.com.br

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