No auge de uma das piores crises políticas e de credibilidade do Brasil, tenho estranhado o clima de total apatia da população. E amplio a crise política para ‘crise de credibilidade’ exatamente pela falta de confiança que temos nas instituições do país. No momento em que ‘fatos novos’ – termo utilizado pela própria defesa do presidente da República, Michel Temer – surgem dia após dia, aumentando cada vez mais a lambança no Planalto, a voz das ruas se calou. Um assombroso silêncio.

No clímax da crise de credibilidade no Brasil, uma estranha apatia
No clímax da crise de credibilidade no Brasil, uma estranha apatia
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Entendo que a absolvição da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi de atemorizar qualquer cidadão brasileiro. O resultado fez por comprovar a simbologia criada por Thêmis, a ‘deusa da Justiça’ na mitologia grega, que, vendada, ao contrário de passar a imagem de imparcialidade da instituição, revelou o completo desdém pela realidade como ela se apresentou. Mas como se diz: ‘decisão judicial não se discute, se cumpre’.

Um dos argumentos apresentados no julgamento do TSE é que o nosso sistema político não pode criar ‘instabilidade’ ao governo, e a quem ele comanda. Para isso, a Constituição Federal cria uma enorme burocracia para esses trâmites. E de tão juvenil nossa democracia é, descobrimos que não, não podemos retirar o comando da Presidência da República quando bem entendemos.

O país faliu. Nada avança. Há meses, o expediente do governo é basicamente de defesa após ‘fatos novos’, e novos ‘fatos novos’, e ‘fatos novos’ de última hora… e, assim, meses vão virando um semestre, e mais um longo ano de suspensão, provando a essência do povo brasileiro de acreditar que sempre o fundo do poço está mais embaixo.

Temos um sistema político viciado, numa engrenagem podre que não tem mais conserto. Um presidencialismo de coalizão que institucionalizou a corrupção, que não representa o povo e que criou barreiras para a renovação dessa representatividade.

É hora de um reset. É hora de pensar um novo sistema. Semipresidencialismo? Parlamentarismo? Não sei qual seria o melhor, mas é hora de discutir. Não é hora de ficar em silêncio!

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